domingo, 20 de abril de 2008

O professor

ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - Pego carona na mensagem que recebi ontem do leitor e educador paraense Kleber Duarte, em que ele reclama dos salários de fome dos professores, para fazer algumas comparações.

Um professor não tem cartão corporativo nem para comprar tapioca de R$ 8, quanto mais para se hospedar em hotéis cinco estrelas no Rio de Janeiro, freqüentar restaurantes caros e alugar carros com ar condicionado para passear por aí nos fins de semana, alegando "compromissos funcionais".

Um professor não tem cartão -aliás, nem cheque- para pagar R$ 1.000 em abridores de garrafa, R$ 2.738 em três lixeiras, R$ 36.603 em TV e som e R$ 21.600 em "telas artísticas", como fez o reitor da UnB -e com dinheiro público.

Um professor não viaja para EUA, Alemanha, Portugal, Espanha e China fazendo comprinhas de R$ 2.217,27 na loja Nike, de material esportivo, ou de R$ 2.988,21 na Best Buy, de eletrônicos, e trazendo a conta depois para a universidade. Como o reitor da Unifesp (federal de São Paulo), dizendo agora que "botava no bolso sem explicar".

Um professor não ganha DAS (aquela remuneração especial da nata do funcionalismo), muito menos para fazer dossiê com arquivo morto para usar contra antecessor e adversário político do chefe. Um professor também não ganha aumento acima da inflação, como acabam de ter os funcionários não-concursados da Câmara, que já estão entre mais bem remunerados do serviço público.

E um professor está a anos-luz de ter o salário de R$ 13 mil a R$ 18 mil dos auditores fiscais, que conseguem mobilizar uma greve tão bem-sucedida a ponto de paralisar a entrada de caminhões nas fronteiras com a Argentina e o Uruguai e afetar o comércio do Mercosul.

Pensando bem, há algo errado com o professor. É tonto? É incompetente? Será burro? Quem paga esse pato é a criança brasileira. Ou seja, o futuro do Brasil.

sábado, 19 de abril de 2008

Reportagens interessantes

Vale a pena ler a matéria que saiu sobre o movimento estudantil, na Isto é: http://www.terra.com.br/istoe/

Assembléia de Sexta (18 de abril)

Ato

Começamos o ato em frente à reitoria, onde havia cartazes (alguns feitos pelo nosso campus) escrito tanto piadinhas sobre o uso do cartão corporativo como assuntos sérios (pedidos de transparência, dissolução do CONSU e reformulação do Estatuto com representatividade igual entre os campi).

Quando chegamos já foi exigido dois representantes da Baixada Santista para compor a comissão de articulação, em que foi discutido o andamento do ato e da assembléia, e foi passado o que foi discutido em cada campus, etc. Do nosso campus foi decidido a Fernanda (psicologia) e Gláucio (fisioterapia), ambos do 5º termo.

O ato foi muito importante, fortaleceu a relação entre os campi, e enquanto as pessoas manifestavam, foi possível ir conversando com outros cursos. O curso de medicina estava claramente contra o ato, embora identificamos alguns que estavam lá, apoiando e fortalecendo a importância de reivindicarmos mais espaço no estatuto. Disseram que são contra uma expansão desenfreada, desestruturada, mas que acreditam a importância de novos cursos.

Medicina

O que gerou mais polêmica foi a atitude de alguns alunos da medicina. Primeiramente, durante o ato, ficaram cercando o movimento e decidiram, em um momento, molhar com mangueira os estudantes que estavam manifestando pacificamente. Isso não ocorreu pois a polícia impediu. Quando era quase 18hs, começamos a nos organizar para a Assembléia. Foi votado entre ficar onde estávamos, próximos à reitoria, ir para o Teatro Lindenberg ou ficar em um estacionamento. Foi decidido ir ao Teatro Lindenberg. Nisso, a medicina foi em grande número para lá e foi um grande empecilho para começar. Em meio a gritos, ofensas, e tumultos, que foram diminuindo conforme a assembléia acontecia, mas que permaneceram até o final, esses estudantes da medicina se mostraram bem contra esse momento, em que claramente, pela primeira vez na história da UNIFESP, eles não tinham voz maior que o resto. Embora estava presente esses futuros médicos do Brasil que trataram de forma ofensiva e machista as meninas que se manifestavam em frente, havia sim estudantes (embora minoria) com o mínimo de respeito, e que inclusive apresentaram idéias interessantes. De uma forma geral, foi muito triste e deprimente ver a atitude desses futuros profissionais da saúde (alguns que até já eram residentes) que não conseguiam estabelecer um diálogo inteligente com os demais, e nem eram a favor de exercer a democracia. Rasgavam as folhas que passavam por eles, não deixavam as pessoas circularem pela Assembléia, tumultuavam o tempo inteiro não deixando as pessoas falarem e pelos discursos, foi claro ver como se vêem superiores perante aos outros cursos. Ficaram assustados e revoltados quando foi citado que não existe mais Escola Paulista de Medicina, que agora é UNIFESP.

Assembléia

A assembléia, apesar de muita dificuldade, foi caminhando dentro de seus objetivos. A princípio as discussões foram mais centradas ao comportamento da medicina, mas aos poucos foi dito tudo que era importante dizer. De informes especiais, haverá uma reunião com o corpo docente e outra com os funcionários de toda a UNIFESP para estes apresentarem sua posição perante o escândalo do cartão corporativo e o movimento estudantil. Foi falado também sobre a situação de São José dos Campos, em que há uma falta de estrutura muito grande e o que aos poucos está sendo encaminhado não é pela UNIFESP, e sim pela prefeitura local. Votamos, ao final, os seguintes pontos:

1) Plebiscito para a retirada do reitor na sexta feira, dia 25: sim, e ocorrerá cada um em seus respectivos campi, através de um voto por urna.

2) A formação de uma comissão com 2 representantes de cada campi para decidir uma série de coisas, entre elas como seria possível uma reformulação do estatuto em que haja representatividade igual de todos os campi.

3) Uma assembléia na quarta (em seguida da reunião do corpo docente), na quinta ou na sexta. Nessa assembléia seria decidido os próximos encaminhamentos do movimento e foi consenso de maioria a necessidade dela. Por conta de que teria o plebiscito na sexta também, foi decidido que esta ocorreria no dia 25.

4) Paralisação até sexta feira, ocupação da reitoria e greve: não foram aceitos

5) Paralisação apenas na sexta feira: consenso de maioria. Nesse caso, não haverá aula na sexta feira, pois será um dia para a realização do plebiscito e assembléia.

Os representantes do nosso Campus será decidido na terça-feira, dia 22. É importante ressaltar que durante todos os momentos, apesar de já ter seu posicionamento perante as questões, a UNIFESP Baixada Santista firmou que estaria disponível a acatar com o que fosse decidido na assembléia. Isso continuará na próxima assembléia, e portanto a presença da maioria continua imprescindível. Enfim, haverá aula normal, exceto sexta feira.

Diretório Acadêmico.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Nota à sociedade

Diretório Central dos Estudantes da UNIFESP
Órgão Oficial e Representativo dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo
São Paulo, 16 de abril de 2008.

Diante das denúncias de uso indevido do dinheiro público através do Cartão Corporativo feito pelo Reitor Ulysses Fagundes Neto, os estudantes da Universidade Federal de São Paulo se mobilizaram no sentido de tomar e apresentar um posicionamento em resposta às acusações.

O Diretório Central dos Estudantes, órgão oficial e representativo dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo – DCE – comunica que, em Assembléia Geral dos Estudantes da UNIFESP, realizada em 16 de abril de 2008, que contou com a presença de aproximadamente 350 estudantes dos cinco campi, decidiu-se paralisar as atividades até sexta-feira, 18 de abril, pela saída de Ulysses Fagundes Neto do Cargo de Reitor desta Universidade, e realizar um ato público de protesto em frente à reitoria seguido de Assembléia para reavaliar a situação e decidir novas ações.

Os Estudantes estão mobilizados e prontos para assumir sua responsabilidade de lutar em defesa da ética e do respeito com a administração pública.

DCE - UNIFESP

Saiu na Tribuna e saiu bem feito!







Unifesp Santos participa de ato contra o reitor
Manifestação será realizada hoje às 15 horas na Capital
DA REDAÇÃO
Os alunos do Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) participam hoje de manifestação contra o reitor da instituição, Ulysses Fagundes Neto, acusado de usar R$ 12 mil do cartão corporativo em compras pessoais no exterior. O protesto, que reunirá estudantes de todos os campi da instituição, está marcado para as 15 horas, em frente ao prédio da reitoria, na Capital, e será seguido de assembléia geral dos estudantes para decidir qual atitude deverá ser tomada em relação a Fagundes Neto.

Os alunos querem não só a saída do reitor, mas também que a escolha do seu substituto seja através de eleições diretas, com mais de um candidato, e com a participação estudantil na votação. Ontem pela manhã, centenas de estudantes estiveram reunidos no prédio da universidade em Santos, na Ponta da Praia. O campus Baixada Santista conta com 600 estudantes dos cursos de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Educação Física, Nutrição e Psicologia.

Durante assembléia geral, os universitários aprovaram a paralisação das aulas até hoje. No entanto, os universitários foram contra a proposta de ocupação da reitoria, cogitada durante a reunião. Em assembléia realizada na quarta-feira, em São Paulo, que contou com a participação de cerca de 30 representantes de Santos, os estudantes já tinham rejeitado essa idéia e decidido que se organizariam em cada campi da Unifesp para votar algumas propostas. ``O nosso objetivo não é fazer baderna. Queremos reivindicar os nossos direitos de cidadãos'', desabafa a aluna do curso de Terapia Ocupacional Carolina Greco Del Cole, de 21 anos.

Para ela, a instituição ainda é administrada como se fosse a antiga Escola Paulista de Medicina, visando apenas os interesses dos alunos desse curso. Para a estudante, é preciso acabar com Conselho Universitário (Consu) da Unifesp. O Consu é formado por 75 mebros, todos professores titulares -- a maioria da área de Medicina. É esse conselho que toma todas as decisões relacionadas à universidade, inclusive sobre a escolha do reitor. Aluno do curso de Psicologia, Leandro Bernardello Unzueta, de 22 anos, acredita que toda essa revolta dos estudantes é reflexo da falta de diálogo com os administradores da universidade. ``É preciso mudar a forma como é vista a Educação. Nós, alunos, não temos direito de opinar sobre o que é melhor para a gente.

A Unifesp está em processo de refazer o seu estatuto. E acho que os alunos precisam ter representatividade nesse estatuto, através de votação direta para a escolha do novo reitor''. A ocupação da reitoria, para a estudante de Terapia Ocupacional Natália Ferreira Assunção do Carmo, de 19 anos, seria uma atitude extrema. ``Não só os alunos, mas todos os cidadãos precisam se organizar e cobrar que esse dinheiro (do cartão) seja usado de forma correta'', diz Natália.

Destaque
De 2006 a janeiro de 2008, o reitor da Unifesp, Ulysses Fagundes Neto, gastou 84,8 mil do cartão corporativo, sendo R$ 12 mil em compras pessoais no exterior. Na quarta-feira, o reitor disse ter cometido um ``equívoco'', pois achava que tinha autonomia para gastar e que entendia não se tratar de dinheiro público.

Disse ainda que não agiu de má-fé. Fagundes Neto informou já ter devolvido todos os R$ 84,8 mil aos cofres públicos. Em nota divulgada à imprensa, a Procuradoria da Unifesp informou que o reitor reúne-se hoje às 17 horas com o Conselho das Entidades da Unifesp, integrados por alunos, professores e funcionários.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ulysses Fagundes Neto – carta à comunidade Unifesp

Ulysses Fagundes Neto esclarece uso do cartão corporativo para a comunidade da Unifesp

Para que não pairem dúvidas sobre a minha conduta ética e moral na utilização de recursos públicos, via cartão corporativo, gostaria de esclarecer alguns pontos que, apresentados de maneira nebulosa ou pouco didática pela mídia têm maculado minha imagem e, principalmente, minha honra pessoal. Na certeza de que jamais agi de má-fé, espero que consigam me dar, neste momento, ouvidos atentos e desprovidos de pré-julgamentos. Assim, existem alguns tópicos que gostaria de deixar bem claros:
• NENHUMA das pretensas denúncias apontou uso irregular de verba pública. Todos os questionamentos presentes na imprensa sempre disseram respeito EXCLUSIVAMENTE ao modo como as VERBAS DE DIÁRIAS DE VIAGENS foram utilizadas por meio do cartão corporativo.
• As verbas das diárias NÃO SÃO retiradas dos recursos da Unifesp. São recursos adicionais liberados mediante prévia autorização e posterior comprovação.
• Muitos dos gastos apontados como inelegíveis nas auditorias – 12 recepções a grupos de visitantes de outras universidades de várias partes do mundo – sempre foram considerados por nossa procuradoria como AÇÕES INSTITUCIONAIS.
• As COMPRAS realizadas no exterior NÃO geraram qualquer ordem de PAGAMENTO público, pois eu QUITEI COM RECURSOS PRÓPRIOS, cada um desses boletos.
• DIANTE das acusações indevidas, EU DEVOLVI TODO o valor utilizado entre 2006 e 2007 e que somou R$ 85.508,62. Para que a transparência seja a maior possível em meu relacionamento com nossa comunidade, segue em detalhes cada uma das acusações feitas a mim a partir de fevereiro de 2008 e com as quais venho convivendo desde então. Despesas questionadas pela CGUJantaresNos anos de 2006 e 2007 promovi 12 recepções a comitivas, dirigentes, médicos estrangeiros e pesquisadores em visitas à nossa Universidade. Essas despesas - nunca para grupos menores que cinco pessoas e com caráter institucional. E, face ao questionamento da CGU, foram integralmente devolvidas por mim. FarmáciasTrês foram os gastos realizados com o cartão corporativo. O primeiro em janeiro de 2007, no valor de R$ 614,61 resultou de um equívoco no manuseio dos meus cartões pessoais. Por serem muito parecidos, utilizei o corporativo ao invés do cartão de crédito, que acabou ficando em casa. Constatada a confusão reembolsei para a União. Na segunda e terceira ocasiões, R$ 447,44 e R8,13, respectivamente, as compras ocorreram em situações de emergência. Nos dois casos não houve saque de recurso público, pois paguei os boletos de vencimento com dinheiro próprio. ViagensNÃO estive a passeio na Alemanha, na época da Copa do Mundo, e nem em Orlando (EUA), em férias na Disney. Na Alemanha, participei no 39º Congresso da Sociedade Européia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição e da reunião científica para a organização do III Congresso Mundial que será realizado em Foz do Iguaçu, neste ano e do qual serei presidente. No mês de outubro de 2006, fui ao Congresso da Sociedade Norte-Americana de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição, em hotel localizado nas dependências da Disney. Todas as viagens são previamente autorizadas e posteriormente comprovadas.Compras em viagensAs compras feitas em viagens foram lançadas no cartão corporativo e pagas com recursos próprios ou das diárias de viagem. Nos casos em que se constatou que algum gasto ultrapassou o valor das diárias, o recurso foi devolvido no momento do acerto de contas, após a auditoria anual.Diálogo abertoRenovo a postura de diálogo aberto com a comunidade e seus representantes. Foi disponibilizado na internet e na intranet a entrevista coletiva concedida à imprensa em 15/04/2008. Espero que meus esclarecimentos sejam suficientes para fazer jus à confiança que sempre me dedicaram nesses últimos anos em que, por duas vezes, fui convidado a comandar os caminhos da nossa querida Universidade.

Ulysses Fagundes Neto
Reitor

Fonte: http://dgi.unifesp.br/comunicacao/index.php

Link para ver o vídeo da coletiva de imprensa:
http://dgi.unifesp.br/comunicacao/noticias.php?cod=6457

Presença estudantil na reunião de Desenvolvimento Docente

Hoje, 17 de abril, um grupo de oito estudantes da UNIFESP Baixada Santista foi à reunião de Desenvolvimento Docente que ocorreu na Unidade I (Ana Costa) para aproveitar a participação do Nildo e grande parte dos professores e explicar (e não justificar) a nossa paralisação.

Chegamos e comunicamos ao Nildo que gostaríamos de nos pronunciar, ele pediu para esperarmos pois duas palestrantes tinham hora para falar. Quando elas saíram, nós entramos e começamos contando como foi a Assembléia ontem em São Paulo, os motivos de ter paralisado hoje e a importância de amanhã.

Foi falado sobre a votação que fizemos hoje, apontando que a maioria é contra greve/ocupação mas que somos a favor da saída do reitor Ulysses e a favor também da nossa presença no ato que ocorrerá amanhã. Fizemos um convite aos professores, caso quisessem ir amanhã no ato seguido da Assembléia e falamos como a nossa falta de voz e visibilidade é ruim tanto para os alunos quanto para os professores e sobre a importância de manter o diálogo entre professor-aluno.

Após as nossas falas, alguns professores se pronunciaram, buscando maior esclarecimento do assunto e o professor Nildo falou sobre a importância da cautela que estamos tomando, como é necessário saber o que realmente está acontecendo antes de tomar uma atitude mais radical como a ocupação da reitoria.

Quanto a isso, defendemos a importância da movimentação de Guarulhos, pois sem eles jamais teríamos conseguido provocar a ponto de reunir o número de estudantes que conseguimos reunir hoje, algo inédito na história da UNIFESP Baixada Santista. Falamos que nossa posição foi aquela, mas que os posicionamentos podem mudar amanhã após a Assembléia, principalmente porque serão decididas conjuntamente com os Campi Unifesp.